Se você está entrando no K-Pop agora ou acompanha há alguns anos, provavelmente já sentiu: algo mudou a partir de 2018. Os grupos da quarta geração chegaram com ambição diferente — conceitos mais densos, produção visual mais cara, álbuns que contam histórias em vez de só acumular faixas. Esta lista reúne os grupos que melhor representam essa mudança, com o contexto que faz a diferença para quem quer entender o que está ouvindo.
- Período de debut
- 2018–2023
- Grupos em destaque
- 11
- Mercados dominados
- Global
O que define a 4ª geração?
A quarta geração não é apenas uma marcação temporal — é uma mudança de mentalidade. Enquanto grupos da terceira geração como BTS e BLACKPINK quebraram barreiras para o K-Pop chegar ao mundo, a quarta geração já nasceu dentro desse mundo globalizado. Não estavam tentando convencer o Ocidente de que K-Pop era válido. Chegaram assumindo que sim.
Três características distinguem essa geração das anteriores:
- Álbuns conceituais com universo próprio — TXT, ENHYPEN e aespa não lançam músicas, lançam capítulos. Há lore, há continuidade, há fãs que criam wikis para mapear os detalhes.
- Integrantes de múltiplos países como norma, não exceção — australianos, tailandeses, japoneses, chineses e americanos dividem o mesmo grupo sem que isso precise de explicação.
- Identidade visual que compete com moda de luxo — colaborações com Valentino, Versace e Louis Vuitton tornaram-se parte do ciclo de comebacks.
Grupos masculinos
A diversidade de conceitos nos grupos masculinos da 4ª geração é o que mais impressiona quem vem de fora. Não existe um "jeito" de ser grupo da quarta geração — existe espaço para hip-hop bruto, para narrativa poética e para performance física extrema, às vezes no mesmo grupo.
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Stray Kids são o argumento mais forte de que K-Pop pode ser autoral. A unidade de produção interna 3RACHA — formada por Bang Chan, Changbin e Han — escreve e produz a maioria das faixas do grupo. O resultado soa diferente de qualquer outro grupo do mercado: mais cru, mais denso, com uma raiva controlada que o público sente mesmo sem entender o coreano.
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ATEEZ construíram reputação de melhor grupo ao vivo da geração antes de ter o hit mainstream que mereciam. "Fireworks", "Inception" e "Halazia" são performances que circulam em compilações de "mostra K-Pop pra quem nunca viu" — porque o impacto é imediato, sem precisar de contexto de fandom.
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TXT são o grupo da HYBE para quem o BTS Universe não era suficientemente complexo. Cada era é um capítulo de uma narrativa maior sobre adolescência, sonhos e o custo de crescer — com referências literárias e cinematográficas que fãs debatem em fóruns dedicados.
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ENHYPEN debutaram em 2020 saídos do reality I-Land e foram direto para o conceito que os definiria: vampiros, noite, a tensão entre pertencer e destruir. A cada comeback, o universo narrativo aprofunda — e a base de fãs cresce acompanhando a história, não só as músicas.
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ZEROBASEONE (ZB1) são o grupo mais recente desta lista e o que teve a ascensão mais rápida. Formados pelo Boys Planet em 2023 com nove integrantes de diferentes países, quebraram recordes de pré-vendas e já têm um dos fandoms mais organizados da geração — mesmo com menos de dois anos de carreira.
A quarta geração não trouxe só novos grupos — trouxe uma nova relação com a narrativa. Ouvir um álbum passou a ser o começo, não o fim da experiência.
— Equipe Onda Coreana
Grupos femininos
Os grupos femininos da 4ª geração diversificaram o que "girl group de K-Pop" pode significar de uma forma que não existia antes. Do metaverso ao Y2K, da estética de luxo ao girl crush sem concessões — cada grupo tem uma proposta visual e sonora que não se confunde com nenhum outro.
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aespa são o experimento mais ambicioso da SM Entertainment em décadas. Cada membro humana tem uma contraparte digital — os ae — e a narrativa do grupo existe entre os dois mundos. "Next Level", "Savage" e "Spicy" são hits; o universo KWANGYA é a razão pela qual o fandom não para de crescer.
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NewJeans chegaram em 2022 e imediatamente quebraram a lógica de como um grupo de K-Pop deve soar. Sem o peso de conceitos elaborados, sem coreografias de impacto calculado — só músicas que grudam, estética Y2K precisa e uma naturalidade em câmera que parece impossível de ensaiar. "Hype Boy", "OMG" e "Super Shy" foram fenômenos simultâneos em mercados que raramente concordam.
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LE SSERAFIM são o grupo da HYBE que chegou com a proposta mais direta da geração: "FEARLESS" como nome de álbum de debut não era marketing — era declaração de princípio. "ANTIFRAGILE" e "EASY" consolidaram um sonido que mistura pop ocidental com a precisão de performance do K-Pop sem pedir desculpas por nenhum dos dois.
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IVE construíram uma identidade de elegância calculada que poucos grupos conseguem sustentar — pop refinado com hooks que não precisam de gimmick para funcionar. "Love Dive", "After LIKE" e "I AM" são singles que qualquer rádio ocidental tocaria sem precisar de legenda.
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ITZY debutaram em 2019 com "Dalla Dalla" e um manifesto claro: autoconfiança como conceito, não como detalhe. Em cada comeback, o grupo reforça a mesma mensagem com estéticas diferentes — e a consistência de identidade é o que diferencia o ITZY de grupos que mudam de persona a cada lançamento.
O que a 4ª geração inventou que as anteriores não tinham
Comparar gerações de K-Pop é útil até certo ponto — e depois vira conversa de torcida. Mas existe algo específico que a 4ª geração construiu de forma diferente: a relação com narrativa. Grupos como TXT, aespa e ENHYPEN não lançam álbuns, lançam capítulos de uma história que os fãs ajudam a construir. O conceito de "universe" — com lore próprio, personagens, conexões entre MVs e letras — não é decoração; é a mecânica central de engajamento.
Isso tem consequências práticas. Grupos da 4ª geração tendem a ter fandoms menores mas mais intensos do que grupos da 2ª geração no pico. O streaming de BTS bateu recordes de escala; grupos como TXT ou ATEEZ têm números menores, mas taxas de compra de álbum físico, participação em eventos e consumo de conteúdo paralelo (documentários, vlogs, reaction videos) que são disproportionalmente altos. A 4ª geração trocou volume por profundidade — e, na maioria dos casos, saiu ganhando economicamente.
Cinco grupos que definem a geração — e por razões diferentes
- TXT (Tomorrow X Together, HYBE/BigHit, debut 2019): o grupo que mais deliberadamente construiu identidade narrativa. O "Chaos Chapter" e o "The Name Chapter" formam uma mitologia adolescente que mistura The Catcher in the Rye com ficção científica. Musicalmente heterodoxos para o padrão do K-Pop — "0X1=LOVESONG" com rock alternativo, "Chasing That Feeling" com pop punk. O fandom (MOA) tem uma das taxas mais altas de engajamento com lore entre todos os grupos ativos.
- ATEEZ (KQ Entertainment, debut 2018): o melhor argumento contra a ideia de que só as quatro grandes agências conseguem criar grupos de impacto global. Sem o suporte de HYBE, SM, JYP ou YG, construíram uma presença de palco que rivaliza com qualquer grupo da geração. O conceito pirata-pirâmide-universo alternativo é kitsch no papel e impressionante em execução. Ganharam lealdade fazendo tours extensivos na América do Norte antes de qualquer outro grupo de pequena agência.
- Stray Kids (JYP, debut 2018): o caso de autoridade artística mais claro da geração. Bang Chan, Changbin e Han (3RACHA) compõem e produzem a maior parte do catálogo do grupo. O resultado é uma coerência sonora — heavy, camadas, agressivo quando quer ser — que não existe por decisão de A&R de gravadora, mas de membros que sabem exatamente o que estão fazendo. "God's Menu", "MIROH", "MIROH" e "Thunderous" são faixas distintas que soam inconfundivelmente como o mesmo grupo.
- aespa (SM Entertainment, debut 2020): o experimento mais ambicioso da SM desde o conceito de "universe" do NCT. As quatro integrantes têm contrapartes digitais (aes) que existem num metaverso chamado KWANGYA — e a narrativa entre o mundo real e o digital é levada a sério em letras, MVs e até em declarações públicas das integrantes. Pode soar excessivo, mas "Black Mamba" e "Supernova" mostram que o conceito funciona quando a música sustenta o peso.
- LE SSERAFIM (HYBE/Source Music, debut 2022): o grupo que mais claramente escolheu identidade sobre harmonia. O conceito "fearless" não é marketing — é diretriz musical e visual. Coreografias que priorizam impacto visual sobre sincronização perfeita, declarações públicas das integrantes sobre ambição e competitividade, uma frieza estética que é completamente diferente do "cute" tradicional do girl group. Em termos de posicionamento, é o grupo mais distinto do ciclo atual.
A 4ª geração não superou a 3ª em escala — BTS e BLACKPINK ainda têm números que nenhum grupo ativo consegue igualar. Superou em diversidade de abordagem: nunca antes houve tantos grupos com identidades tão distintas ativos simultaneamente.
O que ainda não está resolvido na 4ª geração
Com toda a sofisticação narrativa e a qualidade de produção, a 4ª geração tem um problema que não é estético: a dependência de plataformas de streaming para construir narrativa coletiva. O "universe" de TXT ou o KWANGYA de aespa existem porque há uma comunidade online dedicada a catalogar, interpretar e discutir cada detalhe. Se essa comunidade migrar de plataforma ou perder intensidade, a narrativa perde sustentação. Grupos das gerações anteriores construíram fandom através de programas de TV, revistas físicas e concertos — mídias com maior permanência. A 4ª geração apostou em internet e está descobrindo, alguns anos depois, os riscos dessa aposta.
Além disso, a proliferação de grupos tornou a entrada no mercado cada vez mais difícil para grupos de agências menores. Com 50 a 100 novos grupos debutando por ano, o tempo médio para um grupo atingir qualquer visibilidade fora do fandom inicial está aumentando. Os grupos listados acima conseguiram — mas a taxa de sobrevivência geral é provavelmente mais baixa na 4ª geração do que em qualquer geração anterior.
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Por qual grupo começar — guia por estilo
Se você curte…
- Hip-hop e autoria → Stray Kids ou (G)I-DLE (a líder Soyeon escreve e produz quase tudo)
- Performance ao vivo intensa → ATEEZ, sem dúvida
- Narrativa e universo elaborado → TXT ou ENHYPEN — prepare-se para pesquisar o lore
- Pop eletrônico e conceito futurista → aespa
- Algo mais minimalista e contemporâneo → NewJeans ou IVE
- Declaração de identidade e girl crush → ITZY ou LE SSERAFIM
O que saber antes de mergulhar
- Grupos com universo narrativo (TXT, ENHYPEN, aespa) têm fãs que catalogam cada detalhe — a experiência fica mais rica quanto mais você acompanha a progressão
- A quantidade de grupos ativos pode ser avassaladora no começo — foque em dois ou três antes de expandir
- Muitos grupos têm conteúdo de variedade (vlogs, reality shows, programas de TV) que é onde as personalidades reais aparecem
A quarta geração está longe de terminar — grupos continuam debutando, carreiras estão no meio do caminho e alguns dos melhores lançamentos ainda não aconteceram. O melhor momento para entrar é agora, enquanto a história ainda está sendo escrita.
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