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Jinyoung: do GOT7 ao Baeksang como ator

Quando o GOT7 saiu da JYP em 2021, Jinyoung ficou. E trocou o palco pela tela com um Baeksang no bolso.

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Redação HallyuHub
1 de abril de 20269 min de leitura1 views
Jinyoung: do GOT7 ao Baeksang como ator
Jinyoung

Jinyoung

Membro do GOT7 e ator premiado com o Baeksang de Melhor Revelação por O Juiz do Diabo (2021).

Em janeiro de 2021, o k-pop acordou com uma notícia que parecia impossível: todos os sete membros do GOT7 deixaram a JYP Entertainment ao mesmo tempo. Não foi uma saída discreta, do tipo que acontece quando um contrato simplesmente expira e ninguém comenta. Foi um choque coletivo. Sete idols, uma das maiores boy bands da terceira geração do k-pop, virando as costas para uma das três grandes agências — juntos, de forma coordenada. O fandom parou. A indústria parou. Ninguém sabia o que esperar. E então veio o detalhe que complicou ainda mais a história: Park Jinyoung não foi junto. Ele ficou na JYP. Sozinho entre os sete.

Pra muita gente pareceu traição. Pra outros, uma aposta. E foi exatamente isso — uma aposta grande, calculada e, no fim das contas, bem-sucedida. Jinyoung ficou porque já havia um plano, uma direção que ele vinha construindo há anos em paralelo à carreira no grupo. Enquanto os outros membros assinavam com novas agências e seguiam como músicos, ele apostou tudo em uma coisa: se tornar ator de verdade. Não um idol que aparece em drama. Um ator. A diferença parece semântica, mas não é. E 2021 terminou com ele segurando um Baeksang Arts Award — um dos prêmios mais respeitados do cinema e da televisão coreana — pela categoria Melhor Revelação Ator. A aposta tinha dado certo antes mesmo de o ano acabar.

Ano de estreia2012 (como JJ Project)
Composições50+ (registradas na KMCA)
Baeksang2021 (Melhor Revelação Ator)
Dramas principais5+ (incluindo O Juiz do Diabo)

Para entender o que Jinyoung fez em 2021, precisa entender o que era o GOT7. O grupo estreou em 2014 pela JYP e passou sete anos construindo uma base de fãs global feroz — o IGOT7, também chamado de AHGASE. Eles nunca foram os mais populares da geração, esse espaço sempre foi do BTS e do EXO, mas tinham algo que muitos grupos não tinham: lealdade recíproca com o fandom. Havia uma sensação de que o GOT7 e o IGOT7 estavam juntos contra o mundo, ou pelo menos contra a indústria. Quando o contrato coletivo expirou no início de 2021 e a renovação não aconteceu, os sete tomaram a decisão juntos. Mark Tuan voltou para os Estados Unidos. Jackson Wang expandiu seu projeto solo pela China. BamBam e Youngjae assinaram com outras agências. JB, Jay B, começou a trabalhar de forma independente. Yugyeom foi para a AOMG.

E Jinyoung? Renovou com a JYP. A decisão foi recebida com confusão, depois com desconfiança, e eventualmente com uma pergunta mais simples e mais honesta: por quê? A resposta era mais prática do que dramática. A JYP tinha infraestrutura para sustentar uma carreira de ator de longo prazo. Tinha relacionamentos com emissoras, com produtoras, com diretores. Para alguém que já havia percebido que atuação era o caminho, ficar fazia sentido estratégico. Não era sobre lealdade cega à agência. Era sobre aproveitar os recursos certos para o objetivo certo. O que não significa que foi fácil ser o único dos sete que ficou. As redes sociais foram cruéis por um bom tempo.

💡

Você sabia?

Antes do GOT7 existir, Jinyoung estreou em 2012 como metade do JJ Project — um duo formado por ele e Im Jae-bum (JB), que viraria líder do GOT7 dois anos depois. O projeto teve um mini-álbum e uma era musical própria, com um som muito diferente do que o GOT7 apresentaria depois. O JJ Project foi relançado brevemente em 2017, com um EP novo. E enquanto fazia tudo isso, Jinyoung acumulou mais de 50 composições registradas na Korea Music Copyright Association — um número expressivo para um idol da terceira geração.

Park Jinyoung nasceu em 22 de setembro de 1994, em Changwon, na província de South Gyeongsang. Ele entrou na JYP Entertainment como trainee ainda adolescente, e a agência apostou nele cedo o suficiente para colocá-lo num projeto paralelo ao desenvolvimento do grupo principal. O JJ Project com JB foi um ensaio — tanto musical quanto de identidade artística. Jinyoung aprendeu a compartilhar protagonismo, a trabalhar em parceria, a construir química com outro performer. Habilidades que seriam úteis em dramas anos depois. O que muita gente não percebe é que a atuação não começou em 2021 com os prêmios. Ela começou muito antes, nos bastidores, com pequenos papéis, aparições em webdrama, com Jinyoung aprendendo o ofício enquanto ainda tinha agenda de idol — shows, turnês, fansigns, gravações. Fazer as duas coisas ao mesmo tempo por anos é exaustivo. Mas foi esse período de sobreposição que construiu o ator que ganhou o Baeksang.

Jinyoung não virou ator quando o GOT7 acabou. Ele já era ator. 2021 foi só o primeiro ano em que ele pôde ser só isso.

O primeiro grande trabalho de Jinyoung após a saída do GOT7 foi As Células de Yumi, adaptação do webtoon homônimo exibida em 2021. O drama é uma romcom com um conceito visual único — células cerebrais animadas que representam os estados emocionais da protagonista, Yumi. Jinyoung interpreta Goo Woong, o primeiro namorado de Yumi, um homem cheio de imperfeições adoráveis e falhas reais. É um papel que poderia facilmente virar caricatura nas mãos erradas. Ele não deixou. Goo Woong tem timing cômico preciso, vulnerabilidade genuína e uma química com Kim Go-eun que convenceu. O drama fez sucesso o suficiente para ganhar uma segunda temporada em 2022, As Células de Yumi 2, onde a história de Yumi continua — mas sem Goo Woong como protagonista masculino. A saída do personagem foi tratada com a mesma seriedade emocional da entrada. E isso diz muito sobre como o drama foi construído.

As Células de Yumi foi estratégico de um jeito que às vezes passa despercebido. Era um papel simpático, palatável, dentro de um gênero que fãs de k-drama conhecem e amam. Funcionou como apresentação. "Olha, o Jinyoung do GOT7 virou ator, e ele é bom." Mas Jinyoung não ia parar ali. Enquanto As Células de Yumi estava no ar, outro drama já estava terminando as gravações. E esse segundo era completamente diferente.

O Juiz do Diabo foi lançado em julho de 2021, algumas semanas antes de As Células de Yumi. O timing criou um contraste brutal e fascinante: Jinyoung em dois registros completamente opostos ao mesmo tempo. Na romcom, ele era gentil e engraçado. No thriller distópico, ele era Yoon Soo-hyun, um investigador que se vê preso numa engrenagem de poder corrupto, num futuro próximo onde um tribunal-show televisivo decide o destino de criminosos ao vivo. O drama é pesado, tenso, esteticamente sombrio. E a atuação de Jinyoung estava à altura do material.

O Juiz do Diabo (2021) — o drama que mudou o jogo para Jinyoung como atorO Juiz do Diabo (2021) — o drama que mudou o jogo para Jinyoung como ator

O Baeksang Arts Award de Melhor Revelação Ator é dado a atores que, tecnicamente, ainda estão no início da carreira na tela — mas isso não significa que é fácil de ganhar. O Baeksang é o prêmio mais respeitado da indústria de entretenimento coreana, comparável ao que o Grand Bell ou o Blue Dragon representam para o cinema. Vencer como revelação nesse contexto não é só reconhecimento de potencial. É confirmação de que o trabalho foi bom o suficiente para ser levado a sério por pessoas de fora do fandom. Para Jinyoung, foi exatamente isso: legitimação. A prova de que a aposta que ele fez em 2021 tinha fundação real.

Quero ser um ator que as pessoas não conseguem ignorar. Não quero ser lembrado como o idol que tentou atuar. Quero ser lembrado como um ator.

INFO

Sobre O Juiz do Diabo

O drama é protagonizado por Ji Sung no papel do juiz carismático e manipulador Kang Yo-han. Jinyoung interpreta o investigador Kim Ga-on, que começa admirando o juiz e vai gradualmente questionando seus métodos. A dinâmica entre os dois personagens é o motor emocional do drama — e exige de Jinyoung uma atuação reativa precisa o tempo todo, respondendo à intensidade de Ji Sung sem ser engolido por ela. Não é simples.

Depois do Baeksang, a expectativa sobre Jinyoung cresceu. E ele não ficou parado. Em 2025, estreou em Uma Seul Desconhecida, drama que o coloca em cena ao lado de Park Bo-young — uma das atrizes mais respeitadas e queridas do k-drama. Compartilhar protagonismo com Park Bo-young não é uma posição onde você chega por acidente. É uma declaração de que a indústria te vê como nome de peso. O drama reforça a trajetória que Jinyoung vem construindo: projetos que o desafiam em registros diferentes, parceiros de elenco que elevam o nível, histórias com substância.

Tem também Yaksha: Operação Implacável, lançado na Netflix, que mostra Jinyoung no formato de thriller de espionagem — outro registro, outro vocabulário de atuação. A ideia parece ser justamente essa: não criar uma zona de conforto. Não encontrar um nicho e ficar nele. Cada projeto novo parece deliberadamente diferente do anterior, como se Jinyoung estivesse fazendo um mapa das coisas que ele consegue fazer — e expandindo os limites desse mapa a cada trabalho.

O GOT7 não acabou, por sinal. Os membros continuam em contato, continuam se referindo ao grupo com carinho, e houve reuniões e comemorações ao longo dos anos. Mas o grupo como força ativa no k-pop ficou em suspenso. E Jinyoung não esperou que a situação se resolvesse para seguir em frente. Ele tomou a decisão mais difícil — a de parecer o traidor por um tempo — e construiu algo novo. Isso tem peso. Não é fácil ser o que fica quando todos vão. Não é fácil aguentar o escrutínio do fandom sem resposta imediata, sem justificativa pública, sem o grupo do seu lado. Ele aguentou. E entregou resultado.

Existe um jeito fácil de contar a história de Jinyoung: idol que virou ator, ganhou prêmio, carreira seguiu. Mas a história real tem textura. Tem a decisão de ficar quando todos foram. Tem os anos de trabalho duplo — ídolo de dia, estudante de atuação de noite. Tem o fato de que As Células de Yumi e O Juiz do Diabo estavam no ar quase ao mesmo tempo, em registros completamente opostos, e os dois funcionaram. Tem o Baeksang chegando no mesmo ano da saída do grupo, como se o universo tivesse organizado o timing de propósito. Jinyoung não é uma história de sorte ou de estar no lugar certo. É uma história de construção lenta, de aposta consistente em algo específico, de recusa em ser só mais um idol que tentou atuar. Ele virou um ator. E isso, no k-pop, ainda é raro o suficiente para valer a atenção.

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