Lee Jong-suk
Ator e ex-modelo sul-coreano. De Suwon para as passarelas de Milão, depois para os estúdios de Seoul — Lee Jong-suk construiu uma carreira que vai contra o fluxo do mercado.
Em 2010, um jovem de 20 anos de Suwon entrou na passarela da Semana de Moda de Milão. Não era cantor ensaiando um segundo plano. Não era trainee buscando visibilidade. Era um modelo — o mais jovem coreano a desfilar em Milão até aquele momento. O nome era Lee Jong-suk, e esse detalhe diz quase tudo sobre o que viria depois: uma carreira que nunca seguiu o caminho mais óbvio.
A maioria dos atores de k-drama vem de rotas previsíveis: escola de artes, agência de entretenimento, treino vocal e de dança, estreia como idol, transição para a atuação. Lee Jong-suk chegou por outro lado. Passou três meses como trainee rapper na SM Entertainment — saiu. Virou modelo profissional — fez história. Só então chegou à televisão. E quando chegou, chegou rápido. Em menos de uma década, acumulou alguns dos dramas mais amados do gênero romântico coreano. Depois veio o serviço militar. Depois veio Big Mouth. E aí a história ficou ainda mais interessante.
Milão antes de Seoul
Ser o modelo coreano mais jovem a desfilar na Semana de Moda de Milão não é um troféu de consolação. É uma credencial real. Em 2010, o mercado de moda sul-coreano ainda não tinha o peso global que tem hoje — o Hallyu estava explodindo no entretenimento, mas a moda coreana ainda lutava por reconhecimento internacional. Lee Jong-suk chegou lá por mérito, não por hype. Tinha 1,86m, um rosto que funcionava bem na câmera e presença suficiente para segurar um desfile europeu. Esses três meses como trainee rapper na SM não resultaram em nada — mas a passarela sim.
A transição para a atuação foi gradual. Estreou em papéis menores, foi acumulando créditos, estudou no curso de Cinema e Profissionalismo Artístico da Universidade Konkuk. Não foi um salto de fé — foi trabalho. E funcionou de uma forma que poucos conseguem: ele carregou para os personagens a postura do modelo sem virar um caso de estilo vazio. Em frente à câmera, havia alguém pensando no papel.
Você sabia?
Lee Jong-suk foi trainee de rap na SM Entertainment por apenas 3 meses antes de abandonar a carreira musical e focar na modelagem. Em 2010, tornou-se o mais jovem coreano a desfilar na Semana de Moda de Milão. Dois anos depois, ganhou o prêmio de Melhor Ator Revelação no KBS Drama Awards. Desde 2022, está em relacionamento assumido com a cantora e atriz IU — um dos casais mais comentados do entretenimento coreano.
School 2013 e o início que importou
School 2013 foi o ponto de virada. A série da KBS2 colocou Lee Jong-suk no papel de Go Nam-soon, um estudante com passado violento tentando reconstruir alguma coisa. O drama não era sobre romance — era sobre dinâmicas de poder dentro de uma escola, sobre jovens num sistema que pouco se importa com eles. Lee Jong-suk era a figura central e soube segurar a ambiguidade do personagem sem cair em clichê. O KBS Drama Awards concordou: Melhor Ator Revelação de 2012.
Depois vieram dois dramas em 2014 que solidificaram a posição dele no mercado: Doutor Estrangeiro e Pinóquio. O primeiro era um thriller médico com premissa complicada — um jovem cirurgião que cresce num país estrangeiro e volta à Coreia com segredos. O segundo era mais limpo na narrativa: um jornalista iniciante, uma jovem com uma condição rara que a impede de mentir, e uma dinâmica de par que funcionou bem. Pinocchio especialmente ganhou reconhecimento pela escrita e pela química de elenco — e Lee Jong-suk foi boa parte do motivo.
O pico: W, Pinocchio e While You Were Sleeping
Se existe um drama que define Lee Jong-suk para o público internacional, é W — Dois Mundos. Lançado em 2016, a série trabalhava com uma premissa de ficção científica romântica: um personagem de história em quadrinhos que começa a interagir com o mundo real. Lee Jong-suk interpretou Kang Chul — literalmente um herói de webtoon ganhando consciência. Era o tipo de papel que podia virar caricatura muito facilmente. Não virou. Ao lado de Han Hyo-joo, ele encontrou o tom certo entre o épico e o humano, e o drama se tornou um dos mais compartilhados e discutidos daquela temporada na Ásia e fora dela.
Cena de Big Mouth (2022), o drama de retorno de Lee Jong-suk após o serviço militar. Crédito: MBC / TMDBLouvor à Morte — título brasileiro de *While You Were Sleeping* — chegou em 2017 e confirmou que Lee Jong-suk não era um fenômeno passageiro. A série misturava suspense com romance e elementos sobrenaturais, com personagens que têm sonhos premonitórios. Mais uma vez, ele ocupou o centro da narrativa com um personagem de procurador que precisa lidar com o peso do que vê enquanto dorme. A parceria com Suzy funcionou, os números foram bons, e o drama completou um arco de três anos em que Lee Jong-suk praticamente não errou a mão na escolha de projetos.
Entre 2014 e 2017, Lee Jong-suk protagonizou quatro dramas — Doutor Estrangeiro, Pinocchio, W — Dois Mundos e While You Were Sleeping — todos com bons índices de audiência e repercussão internacional. É uma sequência de consistência rara para qualquer ator de k-drama.
“O que distingue Lee Jong-suk nesse período não é só a popularidade — é a capacidade de habitar personagens que carregam alguma fratura interna sem deixar isso virar melodrama fácil. Em W, em Pinocchio, em While You Were Sleeping, os protagonistas têm camadas que ele escolhia explorar em vez de ignorar.”
O silêncio do serviço militar
O serviço militar obrigatório na Coreia do Sul é um assunto que afeta toda geração de atores e artistas masculinos. Para Lee Jong-suk, a entrada aconteceu em março de 2019. A saída, em janeiro de 2021. Quase dois anos fora. O mercado continuou girando, rostos novos surgiram, os algoritmos das plataformas esqueceram um pouco. É o preço que todos pagam. A pergunta, sempre, é como o ator volta.
Antes da entrada, Lee Jong-suk tinha acumulado capital suficiente de reconhecimento para que a ausência não significasse apagamento total. Mas o mercado de k-drama em 2021 era diferente do de 2019 — o streaming tinha acelerado tudo, o Netflix tinha entrado com dinheiro pesado no conteúdo coreano, e a concorrência por atenção era outra. Voltar exigia um projeto que não fosse apenas bom — precisava dizer algo sobre o que ele era agora como ator.
Queria escolher um papel que fosse completamente diferente de tudo que já fiz. Algo que me assustasse um pouco.
Big Mouth: o retorno que ninguém esperava assim
Big Mouth chegou em 2022 e foi exatamente o que a citação acima anunciava. Thriller político e carcerário, a série colocou Lee Jong-suk no papel de Park Chang-ho, um advogado medíocre que é confundido com o maior golpista da Coreia — um criminoso lendário chamado Big Mouth, cujo rosto ninguém conhece. A partir daí a narrativa se transforma em algo mais escuro: um homem sem recursos tentando sobreviver dentro de uma penitenciária com poder próprio, enquanto protege a mulher que ama e tenta entender a armadilha em que caiu.
Era o oposto de Kang Chul de W — Dois Mundos. Sem o brilho do herói, sem o romance como eixo central. Big Mouth exigia que Lee Jong-suk mostrasse medo, desorientação, improviso moral. E funcionou. A série foi bem recebida pela crítica e pelos números da MBC, e mostrou que ele não precisava ficar preso no registro romântico que o tornou famoso. O retorno foi um redirecionamento. Deliberado. Bem calculado.
K-Drama
Big Mouth: De Vigarista a Vingador
2022
Big Mouth foi exibido pela MBC em 2022 e marcou o retorno de Lee Jong-suk após quase três anos e meio fora das telas. A série trouxe um registro completamente diferente: thriller carcerário, sem o brilho visual dos seus trabalhos românticos anteriores.
A Cidade e a Lei: 2025 e novos territórios
O projeto mais recente de Lee Jong-suk é A Cidade e a Lei, de 2025. Ainda mantendo o registro de dramas com camadas jurídicas e políticas que Big Mouth abriu, o ator segue numa direção que consolida a segunda fase da carreira — mais adulta, mais ambígua, menos preocupada com o charme do par romântico como motor narrativo. É uma escolha consistente para quem chegou de volta do militar decidido a não simplesmente repetir o que havia feito antes.
SERIE
A Cidade e a Lei
2025
No panorama atual dos atores de k-drama, Lee Jong-suk ocupa uma posição específica: não é o rosto mais novo, nem compete por atenção com as estrelas da quarta geração do idol-ator. É alguém com uma discografia densa o suficiente para sustentar o próprio peso. Os jovens descobrem W — Dois Mundos hoje via streaming, assistem Pinocchio por recomendação, chegam em Big Mouth e percebem que estão olhando para dois atores diferentes no mesmo corpo. Isso não acontece por acidente.
A forma de uma carreira incomum
Pensar na trajetória de Lee Jong-suk como uma linha reta seria um erro. Ela tem a forma de um ziguezague intencional. Modelo em Milão. Trainee que saiu antes de estrear. Ator revelação. Ícone de k-drama romântico. Ausência obrigatória. Retorno como vilão involuntário num thriller carcerário. Cada virada parece, em retrospecto, calculada para evitar o conforto fácil. E o mercado, que costuma punir quem muda de registro, premiou cada vez.
Para quem está chegando agora ao universo do k-drama, a recomendação prática é essa: comecem por W — Dois Mundos para entender o Lee Jong-suk que o mundo conheceu. Depois assistam Big Mouth para ver o que ele escolheu ser depois. A distância entre os dois é onde a carreira fica de fato interessante. E há bastante a explorar além desses dois — Pinocchio e While You Were Sleeping são paradas obrigatórias, e os novos projetos como A Cidade e a Lei indicam que a segunda fase ainda está se formando.
Lee Jong-suk acumula mais de 10 anos de carreira como ator, com estreias em 2010 como modelo e primeiro crédito em drama ainda em 2010. Seus trabalhos principais acumulam audiências expressivas em toda a Ásia e grande base de fãs internacionais via plataformas de streaming.
Há algo no percurso de Lee Jong-suk que resiste à narrativa simples do idol que virou ator por conveniência de marca. Ele chegou pela moda, ficou pelo ofício. Conhecer a obra dele é entender uma certa geração de atores coreanos que aprenderam a separar popularidade de repetição — e escolheram, sempre que possível, o caminho mais difícil. Para explorar mais artistas e produções do universo coreano, vale navegar pela lista completa de produções e pelos perfis de artistas no HallyuHub.



