Nos bastidores de um ensaio fotográfico para a MAPS em Tóquio, a atriz Lee Yu Bi documentou sua rotina de preparação — e o que apareceu no vlog publicado no seu canal do YouTube foi suficiente para gerar discussão. Sem café da manhã, com um drinque antiinchaço no lugar, verificando o próprio corpo a cada intervalo antes de entrar em cena. A rotina que ela revelou é intensa, disciplinada ao ponto do desconforto — e ao mesmo tempo completamente normalizada dentro do universo do entretenimento coreano.
O vídeo, intitulado 'Tokyo 48-Hour Vlog, From MAPS Photoshoot Behind-the-Scenes to Omotesando Shopping', mostra Lee Yu Bi em Tóquio para o ensaio, combinando os bastidores da produção com cenas do cotidiano na cidade. O que chamou mais atenção, no entanto, foram os detalhes da preparação física da atriz nas horas que antecederam o trabalho — e a naturalidade com que ela descreveu cada etapa.
A rotina revelada: jejum, suplementos e checagem constante
Naquela manhã em Tóquio, Lee Yu Bi pulou o café da manhã deliberadamente para 'gerenciar a silhueta'. No lugar da refeição, consumiu uma bebida conhecida por ajudar a reduzir inchaço — prática comum entre artistas e modelos antes de ensaios onde o corpo será fotografado de perto. A estratégia não impediu que ela admitisse, no vídeo, estar com fome: 'Estou com tanta fome', disse, cerrando os olhos. Antes de sair para o set, acrescentou que tomaria probióticos — parte de um protocolo de suplementos que, segundo ela, inclui probióticos e vitaminas para compensar as restrições alimentares.
Lee Yu Bi durante ensaio fotográfico para a MAPS em Tóquio. Crédito: KoreabooAo longo da preparação, ela verificou repetidamente se havia inchaço no rosto e no corpo — um ritual familiar para quem já acompanhou os bastidores de produções do entretenimento coreano. Apesar do jejum e da tensão visível com a própria aparência, Lee Yu Bi chegou ao set em forma impecável. O resultado nas fotos foi elogiado: silhueta marcada, olhar suave e expressivo, tudo aquilo que o ensaio requeria. Há algo quase contraditório na cena: o desconforto aparente durante a preparação e a aparência relaxada e controlada nas imagens finais. Essa distância entre o processo e o produto acabado é central na discussão sobre padrões de beleza na indústria — e raramente aparece documentada de forma tão direta quanto neste vlog.
Em agosto de 2021, Lee Yu Bi revelou suas medidas nas redes sociais: 164cm de altura e 43kg de peso — números que surpreenderam e geraram ampla repercussão na época.
Os números que voltaram à tona
O novo vídeo reacendeu a atenção em torno do peso de Lee Yu Bi. Em 2021, ela havia revelado nas redes sociais que pesa 43 quilos para 164 centímetros — números que, para boa parte do público fora da Coreia do Sul, soam alarmantemente baixos para uma adulta. Na época, a divulgação repercutiu amplamente: parte do público ficou chocada, outra parte a parabenizou, e uma terceira parcela questionou o impacto que esse tipo de dado tem sobre fãs mais jovens que acompanham a carreira da atriz.
O episódio de 2021 é relevante para contextualizar o que o novo vlog mostra: a rotina revelada não é pontual ou de emergência. É parte de um padrão de conduta que inclui controle rigoroso da alimentação, uso de suplementos e vigilância constante sobre o próprio corpo. Para Lee Yu Bi, esse é o protocolo habitual antes de um ensaio — e ela o compartilhou sem rodeios, como quem descreve algo completamente ordinário. Esse grau de naturalidade é, talvez, o dado mais revelador de todo o vídeo: não é uma confissão difícil, não é um momento de vulnerabilidade — é apenas mais um detalhe da preparação profissional, colocado no mesmo nível que escolher a roupa ou rever o cronograma do dia.
Padrões de beleza no entretenimento coreano
O que Lee Yu Bi revelou não é exceção. Dentro do entretenimento coreano — seja no k-drama, no k-pop ou no mercado de modelos —, regimes restritivos antes de ensaios e aparições públicas são amplamente documentados. Idols relataram dietas de centenas de calorias por dia durante comebacks; atores descrevem restrições alimentares intensas antes de cenas específicas; influenciadores e modelos compartilham rotinas semelhantes como conteúdo aspiracional. A indústria opera com padrões físicos muito mais estreitos do que a média de outros mercados de entretenimento, e isso tem consequências concretas sobre a saúde e o bem-estar dos profissionais envolvidos. O que torna o caso de Lee Yu Bi interessante como ponto de análise é justamente a naturalidade com que ela documenta tudo isso — não há drama, não há apresentação como sacrifício heroico, apenas o relato objetivo de uma prática que, para ela, faz parte do protocolo de trabalho.
Dietas altamente restritivas e rotinas de jejum antes de trabalhos fotográficos são práticas comuns no entretenimento coreano, mas especialistas em saúde alertam para os riscos físicos e psicológicos associados a esse padrão.
A discussão em torno desse tema ganhou mais espaço nos últimos anos, à medida que artistas — especialmente no k-pop — começaram a relatar abertamente episódios de distúrbios alimentares, esgotamento e pressão das agências sobre o peso. Não que seja uma discussão nova: a pressão sobre a aparência no entretenimento coreano é anterior ao hallyu. Mas o alcance global que artistas e atrizes como Lee Yu Bi passaram a ter amplificou também o debate sobre o que é transmitido para audiências internacionais que, em muitos casos, incluem adolescentes. Quando uma atriz com milhões de seguidores documenta de forma casual que não comeu para evitar inchaço antes de um ensaio, isso chega simultaneamente a fãs no Brasil, no Sudeste Asiático, na Europa e nos Estados Unidos — e cada um desses contextos culturais recebe essa informação de formas muito diferentes. A responsabilidade que vem com esse alcance não é necessariamente o que Lee Yu Bi buscou ao fazer o vlog, mas existe independentemente da intenção.
Compartilhar uma rotina de jejum e suplementos antes de ensaio como conteúdo de vlog não é necessariamente problemático em si — é um relato honesto de uma realidade profissional. O problema surge quando esse tipo de conteúdo é consumido sem contexto por públicos que podem interpretá-lo como modelo a ser seguido. A linha entre transparência e glamourização de comportamentos alimentares restritivos é tênue, e a escolha de como comunicar esse conteúdo tem peso real fora das telas. Não se trata de julgar Lee Yu Bi ou de exigir que ela filtre o que compartilha sobre sua vida profissional — ela está sendo honesta sobre o que faz. A questão é mais ampla: é sobre como a indústria estrutura essas demandas, e como o consumo de bastidores pode reforçar padrões que muitos profissionais de saúde consideram inadequados quando aplicados fora do contexto específico de uma produção de moda. A discussão não começa nem termina com um vlog — mas cada episódio como este adiciona uma camada a ela.
Lee Yu Bi e o mercado de k-drama
Lee Yu Bi é uma das atrizes da sua geração que transita com facilidade entre drama e entretenimento de lifestyle — o vlog de Tóquio é parte de uma estratégia de presença digital que vai além das produções em que atua. Ela acumula trabalhos relevantes na indústria e mantém uma audiência que a acompanha tanto pelos dramas quanto pelo conteúdo do cotidiano. O ensaio para a MAPS — publicação de moda reconhecida no mercado coreano — é parte desse posicionamento de carreira que combina atuação com presença em moda e publicidade. Nesse sentido, o vlog funciona como extensão da marca pessoal da atriz: mostra disciplina, comprometimento com o trabalho e transparência sobre o processo — três atributos valorizados pelo público que a segue.
O episódio do vlog vai ser esquecido rápido — é o tipo de conteúdo que gera repercussão por alguns dias e some do ciclo de notícias. O que permanece é a questão estrutural por trás dele: quais são os padrões físicos exigidos (explícita ou implicitamente) da indústria do entretenimento coreano, e como eles afetam os profissionais que os cumprem. A Coreia do Sul tem avançado em discussões sobre saúde mental e bem-estar no entretenimento — casos como o de Lee Yu Bi abrem espaço para que esse debate siga acontecendo, com mais dados e menos romantização. Para quem quer entender o contexto mais amplo do k-drama e da cultura coreana por trás das produções, o HallyuHub cobre esse universo com análise e contexto, incluindo perfis de atrizes e as produções em que atuam.



